EUA reservam US$ 1 milhão para campanha contra o STF, revela jornal britânico
Segundo o The Guardian, a verba sai de um fundo ligado ao Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio; a AGU pediu investigação à Polícia Federal.
O governo dos Estados Unidos reservou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, para financiar uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF). A informação é de uma reportagem do jornal britânico The Guardian publicada nesta quarta-feira (30).
Segundo o jornal, o projeto tem o nome de Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. A ideia seria bancar grupos da sociedade civil que criticam o que o texto chama de excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte brasileira. Ainda não se sabe se o dinheiro foi transferido ou apenas reservado.
Os recursos saem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), abastecido pelo Congresso americano. O Guardian diz ter tido acesso a fontes e documentos do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, que destinam US$ 176,9 milhões, cerca de R$ 918 milhões, a 43 projetos para promover a agenda de Trump em vários países.
Para o Reino Unido, estavam previstos US$ 5 milhões a um grupo que faz campanha contra leis de segurança na internet e de combate ao discurso de ódio. O maior beneficiário seria a Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, com US$ 40 milhões. Ao jornal, o Departamento de Estado afirmou que os projetos na Europa buscam apoiar aliados na defesa de direitos e da soberania.
O STF entrou na mira do governo Trump durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. No ano passado, Washington aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes, depois de pressão de Eduardo Bolsonaro, segundo o jornal. Os EUA também criticam as restrições do Supremo às plataformas digitais americanas.
Nesta quinta-feira (1º), a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para investigar uma possível interferência americana nas eleições e contra o STF. Procurado pela Agência Brasil, o Supremo não comentou a reportagem.