Disputados pelos candidatos, evangélicos dizem não a pastor que pede voto no culto
Pesquisa Iser/Quaest mostra que 83% dos fiéis rejeitam indicação de voto por pastores e padres, mesmo com a fé no centro da eleição de 2026.
Os evangélicos estão no centro da disputa pelo voto em 2026, mas a maioria não aceita que a igreja vire palanque. É o que aponta a pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, feita pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest e divulgada em setembro. Pelo levantamento, 83% dos entrevistados são contra pastores e padres indicarem em quem votar.
A rejeição vai além do pedido de voto. Para 82%, política não deve ser assunto de culto ou missa, e 90% são contra campanha eleitoral dentro dos templos. A pesquisa ouviu 15 mil pessoas, cara a cara, em 412 municípios, incluindo as 27 capitais, entre janeiro e fevereiro deste ano. A margem de erro é de 1%.
Isso não quer dizer que a fé saiu da eleição. Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a influência hoje passa menos pela transferência direta de votos e mais pelos valores, pela identidade e pelo sentimento de pertencer a um grupo. Ela lembra que a indicação de voto se concentra em poucas denominações, como Universal, Quadrangular e Assembleias de Deus.
Do púlpito para o WhatsApp
Boa parte dessa influência mudou de endereço. Dos entrevistados, 66% usam o WhatsApp para se conectar a grupos e comunidades religiosas. Os evangélicos se informam sobre política sobretudo pelo aplicativo, enquanto os católicos preferem a televisão. Segundo Lívia, a mensagem chega pelo grupo da igreja, pelo influenciador religioso ou pelo vídeo enviado pela família, sem passar pelo culto.
O pastor Lucas Oliveira, de 30 anos, que atua numa igreja batista de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, diz ter acolhido muitos fiéis feridos pelas brigas políticas de 2018. Ele conta que conhece colegas que fizeram campanha naquela época, perderam membros e hoje evitam o assunto.
O voto deveria ser do cidadão e não da religião
Pela pesquisa, os evangélicos são 29% da população, sete em cada dez são pentecostais, e a Assembleia de Deus reúne 32% deles. Os católicos somam 50%, dos quais 31% se dizem praticantes. O tema ganhou ainda mais peso na reta final da campanha com a polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, que levou o TSE a julgar, em 30 de setembro, se mantinha a retirada de posts sobre o caso.