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Fernanda da Silva Martins chora abraçada ao corpo do companheiro, entre corpos cobertos por lençóis na Praça São Lucas, na Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025
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Brasil

Foto da dor na Penha após a operação mais letal do Rio vence o Prêmio Vladimir Herzog

Imagem de Tomaz Silva, da Agência Brasil, mostra Fernanda da Silva Martins abraçada ao corpo do companheiro após a Operação Contenção, que deixou 122 mortos em 2025.

Redação Correio Brasileiro 2 min de leitura

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O fotógrafo Tomaz Silva, da Agência Brasil, ganhou o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de 2026. O resultado foi anunciado nesta quarta-feira (30). A foto vencedora mostra Fernanda da Silva Martins abraçada ao corpo do companheiro, morto na operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.

A imagem foi feita no Complexo da Penha, em outubro de 2025, e saiu em jornais e sites do Brasil e do exterior. Para a comissão julgadora, nenhum outro trabalho mostrou tão bem o peso emocional que as mortes deixaram na comunidade.

Tomaz conta que chegou à Penha por volta das 7h e encontrou corpos estendidos no chão. Ao longo do dia, moradores trouxeram dezenas de outros em caminhonetes e os deixaram no asfalto. Na hora da foto, ele decidiu se abaixar para dar destaque a quem estava sofrendo, e não à quantidade de mortos.

Nesse momento, eu também chorei, vendo tudo aquilo

Tomaz Silva, fotógrafo

A operação mais letal do Rio

A Operação Contenção aconteceu em 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão. Pelo balanço oficial, 122 pessoas morreram, entre elas três policiais civis e dois militares. Mais de 150 mil moradores passaram horas sob tiros e explosões, e o trânsito parou em vários bairros da capital.

Em janeiro de 2026, a reportagem da Agência Brasil reencontrou Fernanda, e Tomaz a fotografou de novo. Ela contou que foi criticada por causa da foto, mas também recebeu ligações de pessoas comovidas, e disse que a imagem mostrou um sentimento real.

A EBC teve dois trabalhos premiados nesta edição. Além da foto, venceu uma reportagem do programa Caminhos da Reportagem sobre trabalho escravo doméstico. Na 48ª edição, o prêmio homenageia Vladimir Herzog, jornalista torturado e morto pela ditadura em 25 de outubro de 1975, no DOI-CODI de São Paulo.

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